182- Há beleza no simples.

 



O assunto do texto de hoje me persegue de uma forma silenciosa e inconveniente. Já explico o porquê.

Não existe uma programação para as postagens no Blog. Os temas surgem e as palavras fluem.

Posso passar dias pensando sobre o assunto e com apenas alguns minutos redigir o texto, mas raramente escrevo por dias até que esteja pronto o texto.

E esse assunto pegou meu pensamento de assalto, fez gerar a expectativa do texto e depois sumiu... sim, sumiu.

Lembrava que queria escrever sobre algo, mas não lembrava sobre o quê.

Cheguei a comentar com meu esposo que precisaria criar uma maneira de reter as inspirações, com a intenção de não as perder, mesmo que a memória pudesse me trair.

Enfim... tem muito mais de 2 meses que os pensamentos veem e vão sobre o mesmo assunto e na última sexta-feira, ele depois de muito tempo desaparecido me veio a memória novamente. E eu o peguei!!

Vamos lá então... antes que ele suma novamente.

Há algum tempo participávamos de uma belíssima cerimônia onde uma pessoa muito especial para nós receberia a honraria de sua nova graduação. Enquanto aguardávamos todo o ritual, uma das convidadas reparou em algo que passaria por desapercebido por mim facilmente – já que meu foco era a entrada da formanda.

Ela exclamou não como crítica ofensiva, mas como alguém que observava o todo.

“ _ Em uma cerimônia tão linda e ricamente ornamentada, quanta falta de zelo dispor na mesa dos mestres copos d’agua de plástico.”

Pronto... foi a frase necessária para que eu também observasse o que estava além do óbvio.

A  beleza do momento contempla os mínimos detalhes. E são exatamente estes que ao serem negligenciados chamam ainda mais nossa atenção.

Naquela bancada composta por pessoas ilustres, belos arranjos e um forro impecável não cabia copos descartáveis.

E não é pela superficialidade, mas pela presença, pela importância.

Não alteraria em nada uma jarro de vidro com água e copos tradicionais de um simples buffet, dentro do orçamento para a realização da cerimônia. Eles não chamariam a atenção, pois exatamente esta não era a sua função. Iriam servir e compor, simples assim.

Estranho seria se eu não trouxesse a reflexão para nossa vivência cotidiana.

Quantas vezes não damos a devida importância aos detalhes?

O problema não é o copo ser de plástico, mas o espaço que ele ocupa na leitura do momento – descartável.   

Quando fazemos a leitura do espaço que ocupamos entendemos o que os detalhes querem dizer.

Quando fazemos a leitura do espaço que ocupamos damos ao outro o significado da importância que ele tem em nossas vidas.

Quando fazemos a leitura do espaço que ocupamos cresce em nós o desejo pelo belo, mesmo que simples.

Quando fazemos a leitura do espaço que ocupamos somos instigamos a sermos melhores.

Desejo que este texto chegue até você como os documentos chegavam aos nobre – escritos com caneta tinteiro em papeis na gramatura perfeita.

Não pelo peso das palavras, mas pela importância que dou ao seu tempo dedicado a esta leitura.               

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